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Pesquisando os solos da Amazônia
(Estudo da sorção de amônio em solos Amazonenses)
Manaus 15/07/2009
1-Dos motivos
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O Estado do Amazonas conta com aproximadamente 4.000.000 de habitantes distribuídos em 2.000.000 na capital, Manaus, e 2.000.000 nos 61 municípios do interior ocupando 1.570.745 Km quadrados.
Verifica-se que nesta área, a produtividade agrícola é muito baixa, sendo este fato atribuído a baixa fertilidade do solo. Porém a floresta amazônica está a desmentir esta afirmação.
Visando a não destruição da floresta por atividades extrativistas, foram criados na década de 60, a Zona Franca de Manaus e o Distrito Industrial incentivado.
Já passados 42 anos, ainda não tinha sido descobertas as causas desta baixa fertilidade e sua correção.
Em nossas pesquisas para encontrar as razões do baixo rendimento agrícola no Estado do Amazonas encontramos que ela se deve ao excesso de amônio no solo e a sua não transformação em nitrato. Buscando-se na literatura encontramos a citação de KIELING (3) que relata as palavras de Muxi (1994).
“O amônio e o ácido nitroso não dissociado são tóxicos para as bactérias da nitrificação, sendo que valores de 10-150mg/L são inibitórios para Nitrosomonas e 0,1-1mg/L inibem Nitrobacter. (3)”.
Muitos autores já estudaram o amônio nos solos, mas muito pouco conhecimento sobre as transformações do mesmo nas condições de umidade e temperatura encontradas em campo, mormente aqui no Estado do Amazonas.
Os resultados parciais de nossa pesquisa com Latossolo vermelho-amarelo onde predomina a caulinita nos levou a concluir que:
1-A baixa produtividade dos solos amazônicos está correlacionada com o tempo de sedimentação da solução do solo, na relação 1:100.
2-A dissolução do solo está correlacionada com a concentração de amônio no solo.
3-O tempo de sedimentação de uma dissolução do solo está correlacionado com o inverso da concentração de nitrato no solo.
4-A conversão biológica de amônio a nitrato é função: da temperatura ambiente, da concentração de amônio e da presença do íon sulfato.
Neste trabalho testaremos a concentração do amônio na solução do solo frente a variação de temperatura do solo de 18 graus centígrados á 28 graus centígrados.
2-Do método
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Montamos primeiramente um experimento para determinar a quantidade de amônio presente em uma amostra de solo Latossolo vermelho-amarelo (LVA).
Em dois litros de água destilada diluímos 2 gramas de nitrato de potássio (KNO3).
Em um copo colocamos 375 ml de solução de nitrato de potássio a 1g por litro onde adicionamos 10g de solo, agitando por 1 minuto. Após 24 horas de repouso retiramos 5ml do sobre-nadante que submetemos ao teste de concentração de amônio pelo processo colorimétrico de Nessler resultando 0,8mg/litro de N-NH3.
Retiramos 355 ml do sobre-nadante e descartamos.
Adicionamos 350 ml de solução de nitrato de potássio, agitando por um minuto.
Após 24 horas de repouso retiramos 5ml do sobre-nadante fizemos novo teste de concentração de amônio resultando 0,2mg/litro.
No total retiramos de 10g de solo (0,355 x 0,8) + (0,35 x 0,2) = 0,354mg de N-NH3 que representa (0,354/0,01) = 35,4 mg de N-NH3 por kg de solo.
Montamos outro experimento com a mesma amostra de solo para avaliar os processos
de adsorção e dessorção do amônio em solo LVA frente a variação de temperatura usando como eletrólito solução de KNO3 à 1,0 g por litro, solução de NaCl à 1,0 g por litro, água pura e solução de KNO3 à 0,5 g por litro com solo neutralizado com Ca(OH)2.
Em um copo de 180ml colocamos 100ml de solução e 10g de solo agitando por um minuto.
Após 24 horas de repouso retiramos 5ml do sobre-nadante, medimos a temperatura e testamos a concentração de amônio por colorimetria de Nessler.
Levamos o copo à geladeira por 40 minutos. Retiramos da geladeira, medimos a temperatura, aguardamos chegar à temperatura escolhida, retiramos uma alíquota de 5ml do sobre-nadante para teste de concentração de amônio por colorimetria de Nessler.
Deixando-se aquecer a dissolução de solo retorna à concentração inicial.
Assim procedemos para os quatro eletrólitos.
3-Dos resultados
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Na tabela 1 apresentamos os resultados.

Estes resultados são cíclicos, demonstrando que a adsorção e a dessorção do amônio no solo está sempre em perfeito equilíbrio nas várias temperaturas.
Interpolando-se outros pontos geramos o gráfico número 1 que dá uma visão melhor do conjunto.

Neste gráfico pode-se ver a influência da temperatura e dos eletrólitos usados no experimento.
Usando-se a quantidade de amônio presente no solo, conforme ensaio anterior podemos definir um coeficiente de dessorção dentro desta faixa de temperatura, dividindo a concentração de amônio pela quantidade do mesmo adsorvida no solo.
Kd = Ca/Cs
Onde
Kd = coeficiente de dessorção.
Ca = Concentração de N-amônio na água
Cs = Concentração de N-amônio no sólido
O gráfico 2 mostra este coeficiente.

4-Das conclusões
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Na tabela-1 vemos que mesmo a 23ºC , temperatura mínima no Amazonas e com eletrólito composto de água pura, a concentração de amônio (0,53 mg/l) na solução do solo é superior a estipulada por Muxi (0,1 mg/l) para a perfeita atividade das Nitrobacters.
Isto demonstra que para obter-se uma boa produtividade agrícola no Amazonas teremos que diluir o amônio presente no solo e para tanto devemos usar o coeficiente de dessorção para calcular a concentração máxima admitida de amônio no solo.
Cm = Ca / Kd
Onde
Cm = concentração máxima de amônio no solo admitida.
Kd = coeficiente de dessorção de amônio à temperatura mínima do solo.
Ca = concentração de amônio pretendida na solução do solo.
Devemos escolher Kd de acordo com a composição do eletrólito (solução do solo).
A diluição se fará com uma solução de nitrato de potássio ou com a incorporação do nitrato de potássio diretamente ao solo e muita água.
Exemplo- queremos usar água pura Cm = 0,1 / 0,0145 = 6,89 mg / Kg de N-NH4 como temos 35,4 mg de N-NH4 por Kg de solo, teremos que diluir 6 vezes (espalhar).
O uso de nitrato de potássio se deve ao fato de que a presença de amônio no solo dispersa a argila formando uma camada impermeável impedindo a penetração de água.
O nitrato e o potássio tem ação contrária ao amônio promovendo a aglomeração das partículas de argila possibilitando a eluição do amônio em profundidade.
5- Literatura consultada
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1- Serrano Cermeno, Z. Prontuário del Horticultor, tradução de Mário F. Bento Ripado; Litexa Editora; Lisboa 1988.
2- IDAM-Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas; JAN-DEZ/07.
3-MUXI, L. “Aspectos Microbiológicos de los Processos de Nitrificacion-Denitrificacion”. In: Taller y Seminário Latinoamericano Tratamiento Anaeróbio de Águas Residuales. Anais, p.55-63. Montevideo, Uruguay. 1994.
4-KIELING. DIRLEI DIEDRICH. "ESTUDO DA REMOÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO A PARTIR DE LODO NITRIFICANTE CULTIVADO EM MEIO AUTOTRÓFICO SOB CONDIÇÕES ANÓXICAS". UFSC, Florianópolis, Fevereiro de 2004.
5-Coelho, Fernando S. "Fertilidade do solo". Instituto Campineiro de Ensino Agrícola; Campinas, SP; 1988.
6-"Manual de análises químicas de solos, plantas e fertilizantes"; Organizado por Fábio César da Silva; Brasília; Embrapa comunicação para transferência de tecnologia, 1999.
7-Propriedades químicas do solo; Material adaptado da Apostila Didática elaborada pelo Prof. Maurélio Morelli, Dpto Solos/ CCR/ UFSM.
8-Silva Santos, J.H.da; Proporções de nitrato e amônio na nutrição e produção dos capins aruana e marandu; ESALQ-USP julho-2003.
9-Victor dos Santos, Leandro et all; “Adsorção de cloreto e potássio em solos tropicais”;
UFRJ; Fev. 2006.
10- Barão, Ana Lúcia Pena; “ Carbon, Nitrogen and Phosphorus soil cycle modelling”;
Dissertação de mestrado; Universidade técnica de Lisboa; Set. 2007.
11- Silva, Carlos A. e do Vale, Fabiano R.; “Disponibilidade de nitrato em solos. brasileiros sob efeito da calagem e de fontes e doses de nitrogênio”; Pesq. Agropec. Brás. Vol. 35 no 12; Brasília Dec. 2000.
Manaus 15/07/2009 Tarcisio José D’Avila e Marnice Lopes Nunes
INDICE
0 -
inicio
1 - Como
medir a tensão de água???
2 - Como
resolver ???
3 - Como
reflorestar???
4 - Um pouco de
teoria ???
5 -
Demonstração-1
- A influencia do conteudo salino no tempo de
sedimentação.
6 -
Demonstração-2
- A estabilidade em agua.
7 -
Demonstração-3
- Efeito do ressecamento e a estabilidade em agua.
8 -
Demonstração-4
- A influencia do Nitrogenio no tempo de
sedimentação.
9 -
Demonstração-5
- Efeito da energia mecânica na superficie do solo.
10-
Demonstração-6.
- Efeito antagônico amônia X nitrato.......
11 -
Demonstração-7.
- Origem do amônio do solo....
12 -
Demonstração-8.
- Quantidade de amônio água-extraivel no solo....
13 -
Demonstração-9.
- Atividade das bactéria nitrificantes no solo....
14 -
Demonstração-10.
- Atividade das bactéria nitrificantes X temperatura....
15 -
Demonstração-11
- Influência da quimica na nitrificação.....
16 - Curiosidade....
- A natureza gerando clonagem natural.
17 -
Relatório 1........
- Relatorio parcial -1-
18 -
Relatório 2........
- Estudo da sorção de amônio em solos do Amazonas.
19 -
Mudanças climáticas...
- Revisão de conceitos.
20 -
Agua, fator 100 vezes mais importante..
- Efeito do calor latente de vaporização.
Maiores detalhes
tarcisio.davila@redeamazonica.com.br
marnice.tks@oi.com.br
Tarcisio
José D’Avila ....... Agronomia-UFAM
Marnice Lopes Nunes ..... Logística
Empresarial-ULBRA-Mao